A disputa eleitoral em Mato Grosso do Sul apresenta uma forte concentração de riqueza entre os candidatos, com trinta e cinco deles declarando à Justiça Eleitoral um total de R$ 223,4 milhões em bens, que incluem terras, gado e grãos armazenados. Esse valor corresponde a 41,9% de todo o patrimônio informado por 193 candidatos, que somam R$ 533,6 milhões. Destes, apenas dez pessoas concentram 85,3% do total declarado.
Entre os candidatos, os primeiros do ranking patrimonial são, em sua maioria, proprietários de fazendas. No entanto, apenas dois se identificam como trabalhadores do campo. Os dados revelam um cenário em que o eleitorado sul-mato-grossense, atualmente composto por 1.991.265 pessoas, possui uma demografia que inclui 52,8% de mulheres e 38,3% da população que não completou o ensino fundamental. Em contraste, 37,3% dos candidatos são mulheres e 69,4% possuem diploma de ensino superior.
Os dados foram obtidos a partir da base do DivulgaCandContas do TSE, consultada em 7 de agosto, e das estatísticas do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul de 31 de março de 2026. A análise aponta uma discrepância entre a composição do eleitorado e a dos candidatos, com os homens representando 47,2% do eleitorado e 62,7% dos candidatos. Além disso, os homens detêm 89,1% da riqueza total informada na justiça.
A mediana patrimonial dos candidatos é de R$ 450.000,00, o que equivale a 278 salários mínimos, representando quase 23 anos de trabalho para quem recebe o piso nacional de R$ 1.621. O candidato Zé Teixeira se destaca ao declarar um patrimônio de 39.618 salários mínimos, seguido por Reinaldo Azambuja com 34.532 e o governador Eduardo Riedel com 9.962.
A faixa etária dos candidatos também apresenta particularidades. Apenas três têm menos de 25 anos, enquanto a população acima de 70 anos representa 9,8% do eleitorado, em contraste com 5,7% dos candidatos. Os dados evidenciam que o perfil dos candidatos não reflete a diversidade do eleitorado, especialmente em relação à escolaridade e à ocupação.
Os valores patrimoniais declarados são baseados em informações autodeclaradas, seguindo o critério do Imposto de Renda, e não foram objeto de auditoria pela Justiça Eleitoral. Essa característica levanta questionamentos sobre a real situação financeira dos candidatos e a representatividade de suas declarações. A lista dos dez candidatos mais ricos inclui nomes como Zé Teixeira, Reinaldo Azambuja e Jamilson Name, que lideram em patrimônio declarado, evidenciando a predominância do setor rural na política do estado.





