Lula destaca potencial de relação com Trump para investimentos e respeito à democracia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, em uma entrevista ao The Washington Post, que a relação pessoal que mantém com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ser uma ferramenta importante para atrair investimentos americanos ao Brasil, além de ajudar a evitar a imposição de novas tarifas e sanções. Lula afirmou que, se conseguiu fazer Trump rir, isso pode abrir portas para outros avanços na relação bilateral. Ele enfatizou a importância de não desistir desse diálogo.

Durante o encontro realizado no último dia 7, na Casa Branca, Lula abordou também questões relacionadas a conflitos internacionais, incluindo a tensão entre Estados Unidos e Irã. O presidente brasileiro reiterou sua oposição à guerra com o Irã e à intervenção americana na Venezuela, além de condenar o que classifica como genocídio na Palestina. Apesar das divergências políticas, Lula afirmou que estas não afetam sua relação com Trump enquanto chefe de Estado, desejando que o Brasil seja tratado com o respeito devido a um presidente democraticamente eleito.

Na conversa, Lula entregou a Trump uma cópia do acordo nuclear de 2010, que foi negociado com o Irã em parceria com a Turquia e rejeitado pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Segundo Lula, Trump se comprometeu a ler o documento, e o presidente brasileiro se ofereceu para ajudar a facilitar o diálogo, embora não tenham discutido passos adicionais relacionados ao tema. Lula buscou demonstrar a Trump que as alegações de que o Irã estaria tentando desenvolver armas nucleares são infundadas.

Além disso, o presidente brasileiro destacou que não pretende criar uma divisão entre Trump e Jair Bolsonaro, mas vê na aproximação com o republicano uma forma de neutralizar ações da família Bolsonaro no exterior. Ele mencionou que Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, se mudou para os Estados Unidos no ano passado com o intuito de convencer Trump de que seu pai estava sendo alvo de perseguições. Lula afirmou que não faria nenhum pedido a Trump para que ele não gostasse de Bolsonaro, ressaltando que essa é uma questão que cabe ao presidente americano. Lula acredita que Trump já reconhece que sua liderança é superior à de Bolsonaro.

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