Entre os dias 11 de novembro de 2022 e 20 de abril de 2023, foram constatadas irregularidades no desaparecimento dos aparelhos, que não foram acompanhados de justificativas ou registros formais de destino. A diretora administrativa do Centro de Especialidades Médicas (C.E.M), Camila Dante da Silva, registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia da Polícia Civil de Selvíria, relatando que a unidade recebeu treze aparelhos novos, que foram armazenados em uma sala sem tranca. Apenas três desses itens foram instalados em órgãos do município, enquanto os demais desapareceram.
A diretora informou que o local onde os aparelhos estavam guardados não possui câmeras de monitoramento, e o portão dos fundos da unidade permanecia aberto, o que facilitava o acesso de pessoas não autorizadas. O promotor de justiça Etéocles Brito Mendonça Dias Júnior solicitou à Polícia Federal que compartilhasse informações obtidas durante a Operação Rastro Cirúrgico, que investiga desvios de recursos públicos em Selvíria, para auxiliar na apuração do sumiço dos ar condicionados.
A defesa de Edgar e José Fernando Barbosa, representada pelo advogado Jairo Lemos Natali de Britto, argumenta que os aparelhos furtados não pertencem a nenhuma das empresas relacionadas aos irmãos. Entretanto, a Polícia Federal apresentou evidências de pagamentos feitos a uma sócia de uma das empresas dos irmãos por um médico contratado pelo município, o que levanta suspeitas sobre a legalidade do processo.
As investigações revelaram indícios substanciais de fraude em ao menos 11 processos licitatórios realizados durante a gestão de Edgar na Saúde de Selvíria. A Polícia Federal também solicitou a prisão de mais duas pessoas entre os dez investigados, mas apenas a prisão de Edgar foi acatada pela Justiça Federal. A PF destacou a gravidade dos fatos e a função central que esses indivíduos desempenhavam na organização criminosa, além de indicar que as medidas cautelares anteriores eram ineficazes para impedir a continuidade dos crimes.






