Mutirão da Agraer traz soluções e esperança para produtores de Itaquiraí

No Assentamento Santo Antônio, localizado em Itaquiraí, a movimentação começou antes do amanhecer, com filas formadas por homens e mulheres do campo. Carregando documentos e uma mistura de esperanças e desafios, muitos agricultores se preparavam para resolver questões que, por muito tempo, pareceram intransponíveis. A distância do centro urbano e os altos custos de transporte, que podem chegar a R$ 100 em táxi, levaram muitos a adiar seus sonhos e a enfrentar a burocracia com paciência.

Um dos beneficiados foi Sidinei de Azevedo, agricultor familiar que reside no assentamento desde 2012. Ele buscava ajuda apenas para regularizar sua conta de energia, mas ao sair do mutirão, teve a tranquilidade de evitar o cancelamento de um benefício social que compõe parte significativa de sua renda. “Foi por pouco que eu não perdi”, disse Sidinei, expressando seu alívio e gratidão. A ação revelou-se crucial para muitos que, por viverem afastados, acabam também distantes de seus direitos.

Outro caso emblemático foi o de Natalício Firmino Marangoni, que, após 23 anos de trabalho em seu lote rural, recebeu pela primeira vez o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). Para ele, esse documento representa uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida. “Agora acredito que minha vida vai melhorar muito, porque vou poder fazer financiamento. Em 23 anos, nunca tive essa oportunidade”, afirmou, visivelmente emocionado.

O mutirão, que se destacou por oferecer mais do que simples atendimentos, foi um verdadeiro encontro entre necessidade e oportunidade. Enquanto muitos regularizavam documentos, sonhos antigos começaram a ganhar forma. Produtores perceberam que ainda podiam investir em suas propriedades, enquanto famílias vislumbraram um futuro além da mera sobrevivência. Além disso, um casal que estava junto há anos pôde oficializar sua união através do casamento.

A iniciativa do Mutirão Agraer – Juntos Pelo Campo busca aproximar os serviços públicos das comunidades rurais, garantindo dignidade e oportunidades a quem trabalha na Agricultura Familiar, movimentando a economia do campo em Mato Grosso do Sul. A ação não apenas resolve questões burocráticas, mas também reafirma a importância de ouvir e cuidar das pessoas que sustentam o campo diariamente.

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