A Polícia Federal (PF) está conduzindo investigações sobre um suposto esquema de propina envolvendo o Senador Ciro Nogueira (PP-PI), com base em mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seu primo Felipe Cançado Vorcaro. Os diálogos indicam que pagamentos mensais eram feitos ao parlamentar em troca de favorecimento a interesses do banqueiro no Congresso Nacional. Nessa quinta-feira, 7, a PF realizou buscas e apreensões relacionadas ao caso, que se insere na nova fase da Operação Compliance Zero. Felipe Vorcaro teve sua prisão temporária decretada durante essa ação.
De acordo com a investigação, Felipe questionou Daniel sobre a continuidade dos pagamentos destinados ao “pessoal que investiu” na BRGD S.A, empresa de Nova Lima (MG), que é oficialmente dirigida por Oscar Vorcaro, pai de Felipe. A PF identificou a BRGD como uma das principais fontes dos recursos utilizados no esquema, que supostamente garantiu ao senador uma mesada de até R$ 500 mil. A companhia era utilizada para realizar repasses mensais ao ex-ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro (PL).
Segundo as informações obtidas, a parceria entre BRGD e CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada pelo irmão de Ciro Nogueira, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, também está no centro das investigações. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão também contra Silva Nogueira Lima, que não se manifestou sobre o assunto. Mensagens trocadas entre os primos em 28 de janeiro de 2025 mostram Felipe se queixando sobre o fluxo de pagamentos, que estava sendo direcionado a outra instituição financeira, e solicitando a Daniel que resolvesse a situação.
Em 30 de junho de 2025, Daniel Vorcaro questionou Felipe sobre o atraso nos pagamentos a Ciro Nogueira, indagando se o valor continuaria sendo de R$ 500 mil ou se poderia ser reduzido para R$ 300 mil. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou as buscas e também determinou o bloqueio de R$ 18,8 milhões em bens relacionados ao caso. Ao todo, a PF está cumprindo dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos Estados de Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo.
A defesa de Ciro Nogueira repudiou as alegações de ilicitude, afirmando que o senador não participou de atividades ilegais e se colocou à disposição para esclarecer os fatos. A defesa também criticou a gravidade das medidas investigativas, que foram tomadas com base em conversas entre terceiros, e destacou a necessidade de um controle rigoroso da legalidade das ações.
O caso levanta questões sobre a integridade das práticas políticas e a relação entre instituições financeiras e figuras públicas, enquanto a PF prossegue com suas investigações para elucidar os detalhes do esquema de corrupção em questão.






