Proliferação de plantas aquáticas compromete operação de usina em Ribas do Rio Pardo

A Elera Renováveis, responsável pela hidrelétrica do Mimoso localizada em Ribas do Rio Pardo, enfrenta desafios operacionais devido à proliferação de macrófitas no lago da usina. Para contornar o problema, a empresa está contratando mergulhadores que realizam a remoção das plantas aquáticas que se acumulam nas grades de entrada de água das turbinas. Nesta sexta-feira (14), foi relatado que 12,8% da área de 1,5 mil hectares do lago estava coberta pela vegetação, um índice que, embora abaixo do limite legal de 25%, ainda representa uma preocupação para a operação da usina.

Desde julho, a situação se deteriorou. No dia 17 daquele mês, a área coberta por plantas aquáticas era de 18%. A recuperação do percentual foi possível devido a vertimentos extras de água realizados para deslocar as macrófitas rio abaixo, mesmo durante o período de estiagem. A Elera informou que sempre que as condições climáticas são favoráveis, esses vertimentos são executados com a autorização do órgão ambiental.

A companhia destacou que o último vertimento controlado teve início no final de julho e está sendo monitorado continuamente. O fenômeno da proliferação das plantas aquáticas começou a se intensificar no início de 2025. Um relatório do Imasul indica que a poluição proveniente da fábrica de celulose da Suzano é um dos fatores que contribuem para o aumento da vegetação no lago. Apesar disso, a Elera afirma que está arcando sozinha com os custos operacionais gerados pela situação.

Quando questionada sobre a possibilidade de um acordo com a Suzano para dividir os prejuízos decorrentes da vegetação flutuante, a empresa limitou-se a informar que não há um acordo estabelecido. A Elera assegura que cumpre todas as condicionantes ambientais e que, ao identificar uma concentração elevada de macrófitas, realiza a remoção com a devida autorização.

A Suzano, que produz 2,55 milhões de toneladas de celulose anualmente, garante que está em conformidade com a legislação ambiental pertinente ao tratamento dos rejeitos. Um dado preocupante é que, antes do despejo dos efluentes no Rio Pardo, a concentração de fósforo é de 90 partículas por miligrama de água. Após o despejo, esse número salta para até 3.037, colocando o lago do Mimoso no nível mais crítico de poluição segundo a classificação do Imasul.

Essa poluição não apenas afeta a operação da usina, mas também inviabiliza o uso do lago para atividades de lazer, que foram comuns por décadas, além de comprometer a irrigação agrícola e a pecuária na região.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest