Santa Casa de Campo Grande enfrenta crise financeira e déficit milionário

A Santa Casa de Campo Grande fechou o ano de 2025 com um déficit expressivo de R$ 124,582 milhões, o que representa um prejuízo diário de aproximadamente R$ 341 mil. O balanço anual, divulgado recentemente, revela que o hospital possui um total de R$ 714,259 milhões a receber da prefeitura de Campo Grande, do Governo do Estado e do Governo federal.

Apesar dessa quantia a receber, a situação financeira da instituição é alarmante. Os auditores que elaboraram o balanço afirmam que a Santa Casa não possui mais condições de continuar suas operações. A direção do hospital, no entanto, destaca que obteve uma decisão favorável na Justiça, garantindo uma indenização de R$ 275,593 milhões, referente ao reequilíbrio financeiro entre 7 de outubro de 2011 e maio de 2018. Com as atualizações, esse valor chega a R$ 667,87 milhões, considerando os montantes até dezembro do ano passado.

Além disso, a Santa Casa também conquistou um valor adicional de R$ 46,381 milhões, decorrente de uma ação relacionada a uma lei federal de abril de 2020, que assegurou o pagamento integral dos tetos de produção durante a pandemia. O município, no entanto, emitiu uma portaria que contrariou a legislação, efetuando os pagamentos com base em médias históricas, conforme relatado pela direção do hospital.

Diante das dificuldades financeiras, a administração do hospital tem recorrido a empréstimos, que já ultrapassam R$ 261,7 milhões, com taxas de juros que variam entre 1,85% e 1,36% ao mês. Somente com o banco Daycoval foram contratados três empréstimos, totalizando R$ 17 milhões, com pagamentos previstos para cinco anos. Os juros mensais com esta instituição somam mais de R$ 250 mil.

Na Caixa Econômica Federal, o hospital tomou um empréstimo de R$ 248 milhões em janeiro de 2024, com uma taxa de 1,36%. Além disso, um empréstimo de R$ 10 milhões foi solicitado para honrar compromissos imediatos. Segundo o balanço, mesmo que a Santa Casa vendesse todo o seu patrimônio, ainda restariam dívidas de quase R$ 640 milhões. Para os auditores, essa situação é um indicativo de falência.

"Essas condições indicam a existência de incerteza relevante, que pode levantar dúvida significativa quanto à CAPACIDADE de continuidade operacional da Entidade", afirmam os auditores. Contudo, eles ressaltam que a responsabilidade pela avaliação da continuidade das operações é da administração do hospital, a qual deve divulgar informações pertinentes sobre essa CAPACIDADE e a utilização da base contábil nas demonstrações financeiras, exceto se houver intenção de liquidar a entidade ou cessar suas operações.

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