Serra do Amolar se destaca como refúgio para mais de 200 espécies em Mato Grosso do Sul

A Serra do Amolar, situada em Corumbá, reafirma sua função como um santuário ecológico, servindo como uma verdadeira "arca" para a proteção de mais de 200 espécies. Essa informação é resultado do monitoramento realizado pela equipe técnica do Instituto Homem Pantaneiro (IHP). Neste dia 28, que marca a celebração do Dia Mundial da Conservação da Natureza, a importância dos ecossistemas preservados para o equilíbrio ambiental é destacada.

Entre as espécies monitoradas, 10 estão classificadas como "vulneráveis" ou "em perigo", evidenciando a necessidade urgente de conservação. Um dos registros mais significativos obtidos pelo Instituto foi a observação de um casal de tatu-bola (Tolypeutes matacus), uma das espécies mais ameaçadas do Brasil, que enfrenta sérios riscos devido ao fogo e às mudanças climáticas. Este registro recente é essencial para o desenvolvimento de estudos sobre o comportamento da espécie, além de contribuir para a elaboração de políticas públicas voltadas à sua conservação.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) aponta que a distribuição do tatu-bola no Brasil ainda é pouco conhecida, com registros escassos confirmados. Considerada uma espécie "quase-ameaçada" pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática, a situação do tatu-bola está passando por uma revisão que pode indicar um agravamento na sua população.

O IHP mantém um banco de dados científico abrangente, fundamental para entender a dinâmica das populações de animais silvestres e para subsidiar estratégias de combate a incêndios, além de orientar políticas públicas ambientais. O presidente do IHP, Ângelo Rabelo, destaca que a conservação da biodiversidade deve considerar o território e suas interconexões, promovendo uma coexistência harmônica com as comunidades locais.

Há mais de 10 anos, o monitoramento realizado fornece dados cruciais para estudar como as espécies estão se adaptando às mudanças climáticas e eventos extremos que afetam o Pantanal. O registro do casal de tatu-bola é um indicativo de que os esforços de conservação estão dando frutos e devem ser continuados.

O Pantanal é reconhecido como o segundo maior ecossistema em densidade de mamíferos do mundo, com uma média de 0,724 mamíferos por quilômetro quadrado. A Serra do Amolar, que se estende por cerca de 80 km entre a divisa de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, além da fronteira com a Bolívia, agrega valor a esse ecossistema por reunir morrarias, campos inundáveis e vegetação nativa conservada. Essa diversidade de habitats, que inclui áreas da Mata Atlântica, Cerrado e características amazônicas, funciona como um corredor ecológico, proporcionando um ambiente mais saudável para centenas de espécies, entre elas o tatu-bola.

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