Transporte Coletivo em Campo Grande Ameaçado por Crise Financeira e Risco de Paralisação

Campo Grande enfrenta a iminência de uma nova paralisação no transporte coletivo urbano, a segunda em menos de dois meses, justamente no período de festas de fim de ano. O Consórcio Guaicurus, responsável pela operação do sistema, alega estar em uma grave crise econômica, com dificuldades para honrar a folha de pagamento e o 13º salário de seus funcionários.

A empresa divulgou uma nota informando que a crise é resultado do atraso no repasse de verbas por parte do poder público, incluindo vale-transporte, subsídios e outros componentes tarifários. Segundo o consórcio, a falta de regularização desses pagamentos críticos ameaça a continuidade e a qualidade dos serviços prestados na Capital.

A ausência dos repasses, segundo a empresa, impede o cumprimento de obrigações financeiras essenciais para a manutenção do sistema, que opera no limite de sua capacidade. Sem o fluxo de caixa necessário, o consórcio afirma que não terá condições de realizar os pagamentos vitais para a operação, como a folha salarial e o 13º salário dos colaboradores, cujo vencimento é iminente.

Além das obrigações com os funcionários, custos operacionais como combustíveis, manutenção da frota e encargos também estariam sendo comprometidos pela falta de recursos. O consórcio apelou ao poder público para que tome as providências necessárias para regularizar os repasses.

O sindicato dos trabalhadores em transporte coletivo planeja debater o assunto com o consórcio em uma reunião. A categoria já sinalizou que, caso não haja o pagamento do salário e do 13º, haverá paralisação, cuja data ainda será definida após a conversa com a empresa.

O governo do Estado, questionado sobre os repasses, informou que os pagamentos referentes ao auxílio no custeio do passe dos estudantes da rede estadual estão em dia. A prefeitura de Campo Grande, responsável pelos repasses tanto do valor pago por ela quanto do governo, não se manifestou até o momento.

Em outubro, motoristas já haviam paralisado as atividades por falta de pagamento do adiantamento salarial. A Câmara Municipal idealizou a criação do Fundo Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, visando assegurar estabilidade financeira ao transporte coletivo, mas o projeto ainda não foi votado. Essa seria a quinta paralisação nos últimos seis anos.

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