Vídeo da vítima pode mudar investigações sobre incêndio em Campo Grande

A defesa de Lidiane Cecília Pereira, médica veterinária de 42 anos, afirmou na última quinta-feira (2) que um vídeo gravado pela vítima pode influenciar o andamento das investigações sobre o incidente em que ela é acusada de ter ateado fogo no marido, em Campo Grande. A declaração foi feita após o Ministério Público ter oferecido uma denúncia de tentativa de homicídio qualificado, considerando motivos torpes e o uso de fogo na ação.

Os advogados Kamila da Silva Boeno, Jonatas Giovane de Paula dos Reis e Herika Cristina dos Santos Ratto manifestaram que receberam a denúncia com respeito, mas argumentaram que novos elementos surgiram após as decisões que mantiveram a prisão preventiva de Lidiane. O principal ponto levantado pela defesa é um vídeo onde a vítima relata sua versão sobre o ocorrido, material que não estava disponível durante a audiência de custódia nem na análise do pedido de substituição da prisão preventiva, já que o homem se encontrava internado e impossibilitado de dar declarações.

Após uma melhora em sua saúde e ao tomar conhecimento da situação de sua esposa, o homem decidiu gravar o vídeo por iniciativa própria. Este material já foi enviado à Polícia Civil, juntamente com um pedido para que seja anexado ao inquérito e para que a vítima preste um depoimento formal. A defesa enfatizou que até o momento do indiciamento de Lidiane, a vítima ainda não havia feito um depoimento oficial à polícia, o que é considerado crucial para esclarecer os eventos e enriquecer o conjunto de provas.

Na nota divulgada, os advogados afirmaram que não têm a intenção de antecipar discussões sobre o mérito da ação penal, mas destacaram a importância de que todas as provas sejam apresentadas em um ambiente de contraditório e ampla defesa. Eles expressaram confiança de que os novos elementos serão devidamente considerados pelo Judiciário.

O incidente em questão ocorreu em Santa Luzia, em Campo Grande, onde Lidiane é acusada de jogar álcool sobre o marido e em seguida atear fogo, resultando em queimaduras que afetam cerca de 30% de seu corpo, especialmente no tronco e nos braços. O homem continua internado. Durante seu depoimento à Polícia Civil, Lidiane admitiu ter jogado álcool na mochila do marido para impedi-lo de viajar para Brasília, mas negou ter a intenção de provocar o incêndio. Ela alegou que uma faísca de um isqueiro que segurava acidentalmente iniciou as chamas.

A veterinária também relatou que o casal havia se desentendido por conta de uma suposta traição e expressou arrependimento pelo ocorrido. Além disso, Lidiane informou que estava em tratamento para depressão e transtorno de ansiedade generalizada, mas havia interrompido a medicação cerca de duas semanas antes do episódio. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, e a análise das provas, assim como as manifestações das partes, será realizada pela Justiça.

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