A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) oficializou, na manhã desta quinta-feira (23), a calamidade pública em Dourados em resposta ao aumento significativo dos casos de Chikungunya na região. A aprovação unânime da medida confere ao município maior flexibilidade financeira para implementar ações urgentes no combate à doença. A duração da calamidade é de 90 dias ou até que a situação melhore.
Durante a votação, o presidente da Alems, Gerson Claro (PP), destacou a gravidade da situação, fazendo uma analogia com os desafios enfrentados durante a pandemia. O projeto foi analisado em regime de urgência, refletindo a rapidez com que a doença se espalhou, especialmente nas aldeias indígenas da área. O deputado Zé Teixeira (PL) apontou que cerca de 14 mil moradores da região indígena enfrentam a falta de coleta de lixo, um fator que agrava a proliferação do mosquito transmissor da doença.
Teixeira mencionou conversas com o prefeito Marçal Filho, que indicaram a necessidade urgente de intervenção, uma vez que a cidade está priorizando o atendimento de casos de Chikungunya em detrimento de outras condições, como consultas oncológicas. O senador Nelsinho Trad também se envolveu, solicitando a atuação da Força Nacional para ajudar a conter o avanço da doença, que já ultrapassou os limites da Reserva Indígena e se espalhou pela cidade.
A Prefeitura de Dourados, em uma tentativa de mitigar os efeitos da epidemia, lançou um mutirão de limpeza na Reserva Indígena. Nos últimos dias, cerca de 20 toneladas de lixo foram removidas das aldeias Bororó e Jaguapiru. As equipes iniciaram os trabalhos antes do amanhecer, realizando limpeza em áreas críticas e coletando resíduos nas comunidades, incluindo a Comunidade Santa Felicidade.
O município já havia declarado uma situação de calamidade pública anteriormente, que foi reconhecida pelo Governo Federal. Até o momento, Dourados registrou 6.411 notificações de Chikungunya, com 2.204 casos confirmados e 4.959 classificados como prováveis. Além disso, 2.755 casos permanecem sob investigação. A epidemia resultou em oito mortes, sendo sete delas na Reserva Indígena.
Atualmente, 41 pacientes estão hospitalizados com suspeita ou confirmação da doença, enquanto a taxa de positividade dos testes realizados chega a 60,2%. Em um contexto mais amplo, Mato Grosso do Sul já contabiliza 12 mortes por Chikungunya em 2026, o que representa 63% do total de 19 óbitos registrados no Brasil até o momento. A Prefeitura de Dourados alerta a população sobre a importância de manter áreas limpas e livres de objetos que possam acumular água, criando criadouros para o mosquito transmissor da doença.





