Os senadores Tereza Cristina, do PP, e Nelsinho Trad, do PSD, assinaram um requerimento que exigia a apreciação de um veto relacionado ao projeto de lei sobre a Dosimetria de Penas, o que resultou no adiamento da leitura que permitiria a abertura da CPI do Banco Master. Essa manobra legislativa efetivamente sepultou a investigação no Congresso Nacional. Para garantir que a análise ocorresse com urgência, os parlamentares se uniram a outros 30 senadores num acordo que resultou na desistência da leitura do requerimento da Comissão Parlamentar de Inquérito, etapa necessária para que a investigação fosse instaurada.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil, teria estabelecido um acordo com a oposição para evitar contestações a essa decisão. Em contrapartida, Alcolumbre se comprometeu a pautar o veto ao projeto de lei, contando com o apoio de Tereza e Nelsinho, que assinaram o requerimento. O projeto de lei da Dosimetria de Penas visa modificar as normas relativas à progressão de regime e atende aos interesses da oposição, ao beneficiar aqueles condenados pelos eventos ocorridos em 8 de janeiro.
A CPI do Banco Master tinha como finalidade investigar alegações de fraudes, operações financeiras irregulares e a emissão de títulos de crédito falsos associados ao banco que foi liquidado, além de seu proprietário, Daniel Vorcaro. O escândalo ganhou destaque tanto no mercado financeiro quanto na esfera política após a deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal. A crise se intensificou com a revelação de possíveis conexões entre o banqueiro, figuras políticas e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), levando senadores a buscarem assinaturas para investigar a conduta dos magistrados envolvidos.
Entretanto, a criação da comissão enfrentou resistência por parte do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre. Ao priorizar a derrubada do veto da Dosimetria, os parlamentares da oposição concordaram em abandonar a CPI do Master, desconsiderando o requerimento para a instalação da comissão de inquérito. O projeto de lei da Dosimetria, que está suspenso desde 4 de março de 2026, altera dispositivos da Lei de Execução Penal e do Código Penal, impactando diretamente os processos relacionados à tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
A principal mudança proposta é a aplicação da regra de "concurso formal" para crimes que acontecem em um mesmo contexto. Esta regra impede a soma automática de penas múltiplas, fazendo com que a Justiça aplique apenas a pena do crime mais grave, com um aumento proporcional. Além disso, a matéria prevê a redução da pena em um terço a dois terços para delitos cometidos em "contexto de multidão", beneficiando apenas os condenados que não desempenharam papel de liderança e que não financiaram as ações. A eventual derrubada do veto presidencial, facilitada pela suspensão da CPI, assegura a implementação imediata dessas novas diretrizes de cálculo de pena no país.






