A combinação de fatores relacionados ao clima e ao aumento no custo dos fertilizantes gera preocupações sobre a inflação de alimentos, que pode superar as previsões para 2025 e 2026. Economistas indicam que a alta dos preços dos combustíveis, impulsionada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, é apenas uma parte do problema. O fenômeno climático do El Niño, que deverá ocorrer em 2026, pode intensificar esse cenário, especialmente na região Sudeste, durante o período seco do ano.
As estimativas da Warren Investimentos apontam que, em um cenário extremo, a inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode ser impactada em até 2 pontos porcentuais devido a essas condições climáticas. O segmento de alimentação e bebidas, que representa 21,3% do IPCA, tende a ter um peso ainda maior no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), onde essa fatia chega a 24,3%. Isso evidencia como a variação nos preços dos alimentos pode afetar diretamente a inflação geral.
De acordo com Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, os clientes do agronegócio estão preocupados com o aumento dos preços dos fertilizantes, e muitos já buscam garantir preços elevados. Essa situação resulta em margens de lucro reduzidas para alguns produtores, levando inevitavelmente à alta nos preços dos alimentos. Um estudo da Warren Investimentos indica que seis itens alimentares têm um impacto significativo na inflação, com estimativas de que a inflação acumulada em 12 meses para esse segmento possa alcançar 10% ainda neste ano.
Luis Otávio de Souza Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, observa que anos em que o El Niño se forma apresentam uma inflação média anual de alimentos de 11,6%, em contraste com 6,1% sem a ocorrência do fenômeno. Leal destaca que culturas de safra curta, como legumes e frutas, poderão sofrer os efeitos adversos do clima, resultando em um aumento nos preços desses produtos no segundo semestre.
Se o El Niño se manifestar em junho, os impactos nos preços serão mais pronunciados neste ano. Contudo, caso o fenômeno comece em agosto, a produção de alimentos frescos poderá ser mais afetada em 2027. As projeções da G5 Partners indicam que a variação dos preços dos alimentos nos lares deve aumentar de 5% em 2023 para 7% em 2024.






