O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) desarticulou um esquema que comprometia a Administração Pública ao prometer vagas em hospitais em troca de contratos fraudulentos relacionados a livros paradidáticos. A operação, batizada de Gutenberg, foi realizada em seis municípios do estado, incluindo Campo Grande, Dourados e Porto Murtinho, além de ações em São Paulo e Abadiânia.
Na operação, foram expedidos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão. O MPMS informou que a investigação revelou a existência de uma organização criminosa dedicada à prática de crimes como licitação fraudulenta, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de capitais. Um dos alvos foi Ed Carlos Britto Burgatt, coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde, apontado como mediador do esquema.
De acordo com os levantamentos, Burgatt utilizava seu cargo para oferecer vantagens na regulação hospitalar aos prefeitos, em troca da contratação de uma empresa parceira para fornecer livros. Essa empresa, a Gráfica Alvorada, é ligada a Olívia e Rossana Jafar, que foram presas na operação e assumiram a gestão da livraria após a morte de Mirched Jafar Júnior, em abril de 2021, devido a complicações da Covid-19.
Os contratos fraudulentos eram uma fachada para a divisão de lucros, sendo que a Gráfica Alvorada teria garantido contratos que movimentaram cerca de R$ 27 milhões dos cofres públicos. Um dos contratos, firmado com o município de Dourados, totalizou R$ 8.699.390,00, com a compra de 90 mil kits paradidáticos, e outro, de R$ 4.372.772,00, que previa a aquisição de 42,3 mil kits.
Além de Dourados, contratos Em São Gabriel do Oeste e Porto Murtinho também foram identificados, totalizando R$ 640 mil e R$ 249,9 mil, respectivamente, todos relacionados à compra de kits pedagógicos. A operação contou com o apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope), evidenciando a gravidade da situação e o envolvimento de múltiplas esferas governamentais na prática de corrupção.
O caso levanta questões sobre a integridade e a transparência na utilização dos recursos públicos, além de destacar a importância da ação do Ministério Público no combate ao Crime Organizado e à corrupção no estado.






