A Prefeitura de Campo Grande instituiu um novo sistema que visa monitorar a situação das mulheres na cidade e orientar a criação de Políticas Públicas com base em dados oficiais. A prefeita Adriane Lopes regulamentou a formação do Observatório Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (OMPM), que terá a responsabilidade de reunir, produzir e analisar informações relacionadas à violência de gênero, saúde, autonomia econômica, educação e participação feminina.
O objetivo principal do observatório é permitir que a administração municipal identifique áreas de maior vulnerabilidade e desenvolva ações específicas para cada região, utilizando indicadores oficiais para embasar a formulação e avaliação das Políticas Públicas voltadas para as mulheres. Essa iniciativa representa uma mudança significativa na abordagem do município, que busca transformar dados em inteligência para a gestão pública através de diagnósticos periódicos sobre a realidade feminina em Campo Grande.
Entre as funções estipuladas no decreto, estão o levantamento e a sistematização de informações, a elaboração de indicadores qualitativos e quantitativos, a publicação de boletins técnicos a cada dois meses e a monitorização contínua das Políticas Públicas destinadas às mulheres. O observatório também apoiará a elaboração e atualização do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres, além de mapear regiões com alta incidência de violações de direitos.
Com base nesses levantamentos, a Prefeitura pretende direcionar programas e investimentos para as áreas com maiores índices de violência e vulnerabilidade social. O observatório funcionará como um centro permanente de pesquisa e produção de conhecimento, podendo estabelecer parcerias com universidades, órgãos estaduais e federais, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil para ampliar a coleta e análise de dados.
A implementação do observatório acontece em um contexto preocupante, uma vez que Campo Grande apresenta o maior número de casos de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. De acordo com o Dossiê Mulher Campo-Grandense, publicado pela Secretaria Executiva da Mulher (SEMU), a capital registrou 9,2 mil boletins de ocorrência de violência contra a mulher em 2025, o que representa uma média superior a 25 registros diários. Além disso, os atendimentos na Casa da Mulher Brasileira também ultrapassaram milhares de casos ao longo do ano, com um pico em março, marcado pelo feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte.
Até 19 de julho de 2026, Mato Grosso do Sul já contabilizava 15 feminicídios, reforçando a urgência de se implementar Políticas Públicas fundamentadas em dados que ajudem a identificar as áreas mais vulneráveis e direcionar ações de prevenção e proteção às mulheres.





