A Rumo Malha Oeste S.A. está sob investigação do Ministério Público Federal (MPF) devido a suspeitas de danos ambientais e abandono de vagões em Corumbá. O contrato de concessão da ferrovia Malha Oeste com a Rumo expirou em 30 de junho de 2023, e, enquanto o governo federal se prepara para uma nova licitação, a empresa enfrenta problemas relacionados à sua infraestrutura. Uma portaria publicada no diário eletrônico do MPF indicou que a concessionária é alvo de um inquérito civil com o intuito de apurar a extensão dos danos ambientais identificados no leito e nas margens do Córrego Piraputanga.
A investigação busca ainda a remoção completa de um vagão abandonado, trilhos e dormentes de madeira dispostos de maneira irregular, além da desobstrução das manilhas de drenagem da ferrovia. O MPF também visa promover a recuperação ecológica da área afetada. A fiscalização inicial do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) revelou a disposição inadequada de materiais na calha do córrego e nas proximidades da Comunidade Tradicional Antônio Maria Coelho.
Uma vistoria subsequente realizada pela superintendência estadual do Ibama em Mato Grosso do Sul confirmou que a obstrução no sistema de drenagem da via férrea estava gerando problemas ambientais significativos, como assoreamento, turbidez na água e comprometimento do abastecimento hídrico da comunidade local. A área afetada está inserida no empreendimento da Rumo Malha Oeste S.A., que já havia sido multada em R$ 10,1 mil por dia há aproximadamente sete meses, mas a situação agora evolui para um inquérito com potencial de consequências mais severas.
Relatos técnicos indicam que o problema é passível de solução, mas a falta de ação adequada da concessionária ao longo dos anos levanta preocupações. Em uma fiscalização realizada em dezembro de 2024, a ANTT constatou que 94,5% dos dormentes no trecho de 436 km entre Campo Grande e Três Lagoas estavam deteriorados, resultado de anos de falta de manutenção. A penalidade imposta foi de R$ 2,1 milhões, refletindo a gravidade da situação.
A deterioração da infraestrutura também compromete a segurança e a operação ferroviária, levando a Rumo a reduzir drasticamente a velocidade de seus trens. Entre Bauru (SP) e Três Lagoas, a operação é realizada a apenas 20 km/h, com limitações em pontos críticos reduzindo a velocidade a 1 km/h, quase em marcha lenta. A história da Rumo Malha Oeste S.A. é marcada por várias mudanças de nome; de 1996 a 2007, era conhecida como Ferrovia Novoeste S.A., sendo posteriormente alterada para América Latina Logística Malha Oeste S.A. (ALL) em 2008, e, após fusão com a Rumo Logística em 2015, passou a ser chamada de Rumo Malha Oeste S.A.





