Desde 2013, Mato Grosso do Sul registrou 48 mortes em rodovias estaduais e federais em decorrência de acidentes envolvendo antas. Em média, 100 desses animais perdem a vida anualmente nas estradas do estado, conforme informações da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB) e do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ). Para abordar essa questão, a minissérie documental 'Vidas em Risco' apresenta relatos de pessoas que vivem nas proximidades dessas rodovias e que foram impactadas por essas ocorrências, seja pela perda de familiares, danos físicos ou prejuízos materiais. O projeto estreia nesta segunda-feira (18) e está disponível no canal do YouTube da INCAB-IPÊ.
As rodovias de Mato Grosso do Sul mais afetadas por colisões com antas incluem a MS-040, que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo, e a BR-267, entre Nova Alvorada do Sul e a divisa com São Paulo. A minissérie é dividida em três episódios de aproximadamente 10 minutos cada, nos quais são ouvidos relatos de 17 pessoas que vivenciaram acidentes com esses animais. Um dos episódios destaca a história de uma colisão trágica ocorrida em setembro de 2015, na BR-267, onde oito pessoas que estavam em uma van perderam a vida após um acidente com uma anta.
A coordenadora da INCAB-IPÊ, Patrícia Medici, enfatiza a importância de dar voz às vítimas desses acidentes, ressaltando que, pela primeira vez, são as pessoas afetadas que falam sobre a gravidade da situação. Ela destaca a necessidade urgente de ações efetivas por parte dos gestores responsáveis para garantir rodovias mais seguras. "Esperamos que a voz dessas pessoas possa chegar a lugares onde não conseguimos chegar, para que os órgãos competentes assumam sua responsabilidade na implementação de rodovias seguras", declarou.
A INCAB-IPÊ tem trabalhado na questão das colisões veiculares com fauna em Mato Grosso do Sul por mais de uma década, tendo instaurado um inquérito civil junto ao Ministério Público Federal (MPF) para discutir estratégias de mitigação com o DNIT e o IBAMA, responsáveis pela rodovia e pelo licenciamento, respectivamente. No entanto, até o momento, ambos os processos legais permanecem sem solução.
A organização IPÊ, sem fins lucrativos, atua na conservação da biodiversidade brasileira por meio de ciência, educação e iniciativas sustentáveis. Fundada em 1992, a sede do IPÊ está localizada em Nazaré Paulista, São Paulo, onde também se encontra a ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade. A INCAB-IPÊ, Iniciativa Nacional focada na pesquisa e Conservação da Anta Brasileira, abrange cinco biomas no Brasil: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Sob a liderança da conservacionista Patrícia Medici, a INCAB-IPÊ foi criada em 1996 e, desde então, tem expandido suas atividades para diferentes regiões do país, incluindo o Pantanal em 2008, o Cerrado em 2015, a Amazônia em 2021 e a Caatinga em 2023.






