Comissão de Intervenção solicita novos recursos a sócios afastados do Consórcio Guaicurus

Em nota divulgada nesta quinta-feira (16), o Consórcio Guaicurus informou que, após um mês da formação da Comissão de Intervenção do Sistema de Transporte Público de Campo Grande, um ofício foi enviado aos sócios afastados das empresas que gerenciam o transporte. O documento solicita um cronograma de novos aportes financeiros para assegurar o funcionamento dos ônibus na Capital.

O interventor-geral, Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, declarou que a solicitação de recursos é uma confissão sobre a situação financeira do consórcio. Ele ressaltou que, um mês após assumir a gestão e ter acesso às contas das empresas, com a diretoria afastada desde 16 de junho, o interventor pede aos sócios o montante que a tarifa cobrada não consegue cobrir.

Lisandro contestou a afirmação de que a dívida de subsídios da Prefeitura era uma “falácia”, afirmando que recebeu toda a documentação contábil e que a gestão municipal estava regular. Ele questionou a necessidade de novos recursos poucos dias após a intervenção, sugerindo que ou o diagnóstico apresentado à Câmara em 6 de julho estava incorreto, ou a dívida do Município realmente existe.

Os sócios das empresas responsáveis pelo transporte público em Campo Grande estão afastados por um decreto da Prefeitura. A nota do consórcio enfatiza que não há um cronograma a ser apresentado, uma vez que todos os aportes anteriores foram feitos de forma voluntária. Esses recursos foram essenciais para cobrir custos operacionais, como combustível, manutenção e salários, devido ao atraso nos repasses do Município.

O contrato do Consórcio Guaicurus, assinado em 2012, previa uma tarifa que deveria custear o serviço e os investimentos em equipamentos e frota, com revisões econômicas a cada sete anos para manter o equilíbrio financeiro. Contudo, essas revisões não foram realizadas, levando à deterioração da capacidade de manutenção do sistema, desde a manutenção preventiva até a renovação da frota.

A solicitação de novos aportes aos sócios afastados reforça a posição do Consórcio, que há anos argumenta que, sem os reequilíbrios previstos contratualmente, a operação financeira do sistema não é viável. O reequilíbrio, que é uma obrigação contratual do Município, tem sido reiteradamente descumprido.

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