O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para apurar supostas irregularidades nos contratos de transporte firmados pela prefeitura de Rio Verde de Mato Grosso. A investigação foi motivada por uma denúncia que aponta o aluguel de um microônibus para o transporte de pacientes do SUS por um valor que excede o de um veículo novo.
De acordo com as informações da denúncia, a prefeitura contratou o aluguel do microônibus por R$ 929,4 mil. Em contraste, o custo de um ônibus novo seria de R$ 636,8 mil. Além disso, a empresa responsável pelo transporte firmou um contrato emergencial, sem licitação, com o prefeito Réus Antonio Sabedotti Fornari (PP), que garantiu um faturamento de R$ 2,761 milhões.
A secretária de saúde, Aline Benvenutti Ribeiro, apresentou defesa à promotoria, argumentando que o aluguel do ônibus seria mais econômico do que a compra de um novo, pois há outros custos envolvidos além do preço de aquisição. O contrato estabelecia que a empresa deveria percorrer 60 mil quilômetros, resultando em um custo de R$ 15,49 por quilômetro.
O transporte de pacientes abrangia cidades como Coxim, São Gabriel do Oeste e Campo Grande, sempre em estradas asfaltadas. Um ônibus desse porte costuma consumir cerca de 3,5 quilômetros por litro de diesel. Para completar os 60 mil quilômetros, seriam necessários aproximadamente 18 mil litros de combustível, resultando em um custo total de cerca de R$ 130 mil, considerando o preço do litro a R$ 7,00.
Caso fosse necessário manter dois motoristas em tempo integral, o custo mensal para cada um seria de R$ 7 mil, totalizando R$ 112 mil ao longo do período de oito meses. Para manutenção do veículo, a estimativa de gastos adicionais seria de R$ 50 mil. Assim, a soma total dos gastos com o aluguel e manutenção ficaria em torno de R$ 300 mil.
Somando o custo de aquisição de um ônibus novo, R$ 636 mil, aos R$ 300 mil de despesas operacionais, o total seria de R$ 936 mil, o que ainda é inferior ao valor do contrato de aluguel. Outra empresa, a Transportadora Aleluia, se ofereceu para realizar o serviço por R$ 15,95 por quilômetro, enquanto uma terceira empresa apresentou uma proposta de R$ 24,80.






