O juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, absolveu Jamil Name Filho, conhecido como Jamilzinho, além de Marcelo Rios, Vladenilson Daniel Olmedo e Cinthya Name Belli, de acusações de obstrução de justiça e de fazer parte de uma organização criminosa. Os integrantes da família Name eram acusados de terem elaborado um plano para se vingar de promotores, delegados e defensores públicos que participaram da primeira fase da Operação Omertá, ocorrida em 2019.
A Operação Omertá investiga uma quadrilha originada no jogo do bicho, que se transformou em um esquadrão da morte em Mato Grosso do Sul. A acusação indicava que um bilhete, que continha os nomes de autoridades envolvidas nas investigações, teria sido uma ordem da cúpula da organização, já detida, para que advogados e membros em liberdade providenciassem armas e executores para os atentados.
O bilhete, descoberto em fevereiro de 2020 na cela de Kauê Vitor Santos da Silva, continha anotações sobre conversas entre Jamil Pai e Jamil Filho. Kauê, que estava cumprindo pena por narcotráfico, escutou e anotou os planos devido à proximidade das celas. Após a delação, ele foi transferido de volta para Mato Grosso do Sul, mas já se encontra preso novamente por violação de regime semiaberto.
Na decisão divulgada na segunda-feira (27), o juiz fundamentou sua absolvição com o entendimento de que o suposto plano para assassinar as autoridades não passou de um "ato preparatório", o que não é passível de punição segundo o Código Penal brasileiro. A defesa dos réus argumentou a nulidade do processo pela quebra da cadeia de custódia, questionando a integridade do bilhete e das mensagens extraídas durante a investigação.
Os trechos mais destacados do bilhete indicam claramente os alvos, entre eles o delegado Fábio Peró e os promotores do GAECO, Rodrigo e Thiago. O documento inclui instruções diretas, como "Recados para mandar matar Peró, Rodrigo e Thiago e pegar também a família do Peró". Além disso, ele menciona a divisão de tarefas, atribuindo a Cinthya Name Belli e Jerson Domingos a responsabilidade de "armar" contra o delegado.
Outro ponto alarmante do bilhete é uma oferta de suborno para que Marcelo Rios assumisse a culpa total pelos crimes, com a promessa de que Jamil pagaria R$ 100 mil para ele. O bilhete também menciona a compra de uma pistola 9mm por R$ 3.900,00, evidenciando a seriedade do planejamento criminoso. Com base nessas anotações, as autoridades chegaram à conclusão de que Jamilzinho tinha a intenção de assassinar autoridades.






