Liberação de suspeitos em esquema de medicamentos gera repercussão em MS

Os cinco suspeitos implicados em um esquema de compras superfaturadas de medicamentos destinados ao tratamento de câncer foram liberados nesta terça-feira, após cumprirem cinco dias de prisão temporária. Os indivíduos estavam detidos desde 23 de abril e a solicitação de prorrogação das prisões foi negada pelo Poder Judiciário. Essa prorrogação havia sido requisitada pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com o apoio do Ministério Público Estadual (MPMS), através do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc).

Durante a operação Oncojuris, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além de cinco mandados de prisão temporária em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. Os detidos incluem um advogado, dois farmacêuticos e dois ex-servidores da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A Polícia Civil destacou que a decisão de não prorrogar as prisões não indica a ausência de provas sobre as práticas criminosas, mas sim se limita à análise dos requisitos legais para a manutenção da custódia cautelar naquele estágio do processo.

Em nota, a delegada Ana Cláudia Medina, responsável pelo Dracco, ressaltou que as investigações continuarão de forma regular e sigilosa, com o intuito de esclarecer todos os fatos e identificar a responsabilidade de cada envolvido. A gravidade das condutas apuradas é acentuada pelo prejuízo financeiro aos cofres públicos e pelo risco à saúde de pacientes que dependiam dos medicamentos.

Os farmacêuticos Luiz Henrique Marino e Reginaldo Pereira dos Santos, que operavam farmácias que figuravam como fornecedoras nos processos, estão entre os envolvidos. Reginaldo, além de farmacêutico, é sócio de uma empresa que presta assessoria na compra de medicamentos importados. Os ex-servidores, Guilherme de Oliveira Neto e Altair Penha Malhada, estavam envolvidos na cobrança de taxas de serviço que ultrapassavam 70%, deixando uma fração mínima para a aquisição dos medicamentos de fato.

As investigações revelaram que os remédios que chegavam aos pacientes não eram os mesmos que constavam nas determinações judiciais e eram importados de países asiáticos, sem autorização de comercialização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A delegada Ana Cláudia Medina afirmou que o desmantelamento do núcleo jurídico do esquema é uma prioridade para prevenir novas práticas criminosas e proteger os interesses públicos.

O rombo estimado nos cofres públicos é de R$ 78 milhões em um período de 12 meses. Embora investigações indiquem que a saúde de pacientes pode ter sido comprometida, não há confirmação de que mortes tenham ocorrido diretamente devido ao uso dos medicamentos em questão. As apurações seguem em andamento, com a intenção de elucidar completamente os fatos e as responsabilidades.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest