A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul foi palco de uma cerimônia de despedida marcada por um profundo silêncio na quarta-feira (24), refletindo a grande perda para a política do estado. Familiares, amigos, autoridades e admiradores se reuniram para homenagear Marcelo Miranda, ex-governador, ex-senador e ex-prefeito de Campo Grande, que faleceu aos 87 anos em decorrência de complicações provocadas por uma pneumonia. O velório, realizado no saguão Nelly Martins, transformou-se em um momento de lembrança coletiva sobre a importância de sua trajetória na formação do estado.
Durante todo o dia, uma quantidade significativa de pessoas passou pelo local para prestar suas últimas homenagens a um homem que foi fundamental para a estruturação administrativa e o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul desde os seus primórdios. Em reconhecimento à sua relevância histórica, a Assembleia Legislativa decretou luto oficial por três dias, com as bandeiras hasteadas a meio-mastro. Lideranças de diversas correntes políticas se uniram em torno da memória de um gestor que deixou uma marca indelével em várias gerações.
A cerimônia foi repleta de momentos de emoção e fé. Uma missa celebrada pelo padre Reginaldo reuniu familiares e amigos, evidenciando o respeito e a reverência pela trajetória pública e pessoal de Marcelo Miranda. O sepultamento ocorreu no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Campo Grande, durante a tarde, encerrando um ciclo de vida dedicado ao serviço público.
Os familiares, ao se despedirem, destacaram não apenas o legado político de Marcelo Miranda, mas também sua essência humana fora dos holofotes e das funções oficiais. João Henrique, deputado estadual e neto do ex-governador, relembrou um homem simples, persistente e com um humor característico, que o acompanhou ao longo de sua vida. Ele ressaltou que a história de Marcelo vai além dos cargos que ocupou e se entrelaça com o processo de construção de Mato Grosso do Sul.
Marcelo Miranda teve um papel ativo na formação do estado, contribuindo para a criação de condições que foram decisivas para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Ele esteve envolvido em importantes projetos de infraestrutura, como a construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá, em Três Lagoas, e atuou no Departamento de Estradas de Rodagem, sendo fundamental para a implantação de milhares de quilômetros de estradas. Sua trajetória política abrangeu os momentos mais significativos da história estadual, incluindo seu mandato como prefeito de Campo Grande entre 1977 e 1979, sua nomeação como governador logo após a criação do estado e sua atuação como senador da República, culminando em sua eleição como o primeiro governador escolhido pelo voto direto após a redemocratização.
Ao final da cerimônia, o sentimento predominante era de reconhecimento e gratidão. Mato Grosso do Sul não apenas se despediu de um ex-governador, mas prestou uma homenagem a um personagem cuja vida e obra estão intrinsecamente ligadas à própria formação do estado. Entre relatos de amigos e manifestações de autoridades, a imagem de Marcelo Miranda ressoou como a de um homem que dedicou grande parte de sua vida à construção de um projeto coletivo que moldou o presente sul-mato-grossense.






