O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento de dados da Polícia Civil de São Paulo com a Polícia Federal (PF) relacionados à operação que afetou Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP Entertainment Ltd, responsável pela produção do filme "Dark Horse". A PF solicitou acesso a esses dados para aprofundar as investigações sobre a suspeita de desvios de verbas públicas, especialmente emendas parlamentares ligadas à produtora.
O roteiro do filme "Dark Horse" é de autoria do deputado federal Mário Frias (PL-SP), que, em 2024, destinou R$ 2 milhões em emendas para a ONG vinculada ao projeto. Em maio, a defesa de Mário Frias negou as acusações de que ele teria realizado triangulações no repasse de emendas para financiar a produção do filme, afirmando que as alegações eram "puramente especulativas" e baseadas em "pré-julgamento".
Em junho, a 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), deflagrou uma operação para investigar suspeitas de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, cujo valor foi estimado em R$ 108 milhões, e que foi vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), de propriedade de Karina Ferreira da Gama. A operação incluiu a execução de oito mandados de busca e apreensão, que foram emitidos pela 1.ª Vara Regional da Garantias.
Além do ICB e da Go UP, a operação também teve como alvos dois endereços residenciais de Karina e a sede da Secretaria Municipal Inovação e Tecnologia. A Polícia Civil requisitou à Justiça o acesso às análises do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações financeiras realizadas pelo ICB, pela Go UP e por Karina.
Entre as hipóteses investigadas está a possibilidade de que uma parte dos recursos destinados ao ICB tenha sido direcionada para a Go UP durante a produção do filme "Dark Horse". Notavelmente, mais de 90% do orçamento do filme foi financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, e o financiamento secreto foi discutido entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, mesmo após a prisão do banqueiro por fraudes bilionárias, ocorrida em novembro de 2025, conforme mensagens encontradas pela PF em um dos celulares do banqueiro.





