Produtores enfrentam desafios financeiros apesar da supersafra de soja em MS

Mato Grosso do Sul se prepara para colher a maior safra de soja da sua história no ciclo 2025/2026, com a expectativa de 17,7 milhões de toneladas. Contudo, os produtores rurais enfrentam um cenário desafiador, com margens de lucro cada vez mais apertadas. A combinação de altos custos de insumos, juros elevados, restrição no crédito rural, queda no preço da soja e incertezas climáticas para o próximo ciclo agrícola tem impactado negativamente a rentabilidade dos agricultores.

De acordo com o Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga-MS), a produtividade média esperada é de 61,73 sacas por hectare, um aumento de 19,2% em comparação ao ciclo anterior. Apesar desse desempenho positivo na produção, a realidade financeira dos produtores é preocupante. O analista de economia da Associação da Produção de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), Raphael Gimenes, aponta que a boa produtividade não se traduz em lucro devido ao aumento dos custos de produção, que tem superado os ganhos financeiros.

Gimenes explica que a rentabilidade agrícola não depende apenas da quantidade produzida, mas também da relação entre receita, custos e eficiência comercial. A alta nos preços dos fertilizantes, defensivos, frete e insumos tem reduzido significativamente o resultado líquido da atividade agrícola. Fatores geopolíticos e oscilações no mercado internacional têm contribuído tanto para a elevação dos preços das commodities quanto dos insumos, resultando em um cenário desafiador para os produtores.

Além da escalada dos custos, os agricultores de MS enfrentam uma queda na remuneração da soja. A saca de 60 quilos, que alcançou R$ 178,50 em maio de 2022, despencou para R$ 111,88 em maio deste ano, representando uma retração de 37,3% em relação ao pico durante o ciclo de alta das commodities. Essa situação reflete um aumento no número de pedidos de recuperação judicial entre os produtores sul-mato-grossenses, em função do encarecimento dos insumos e da redução das margens de lucro.

O foco agora se volta para a próxima safra e os possíveis impactos do fenômeno El Niño. Gabriel Balta alerta que o risco aumenta caso os produtores optem por reduzir investimentos em tecnologia e manejo para cortar custos. A tendência é que os agricultores priorizem seus investimentos em áreas que garantam retorno, principalmente na fertilização. Porém, uma redução nos gastos com controle de pragas, plantas daninhas e doenças pode comprometer a eficácia do manejo, resultando em uma elevação nos custos operacionais.

Balta também destaca que sementes de menor tecnologia podem exigir mais aplicações de defensivos, o que pode aumentar ainda mais os custos ao longo do ciclo de cultivo. Essa necessidade de intervenções adicionais não só eleva os gastos, mas também pode impactar negativamente a produtividade. Em situações extremas, essa dinâmica pode levar até mesmo ao abandono das lavouras, o que acentua a preocupação no setor agrícola de MS.

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