Retomada das obras da UFN-III em Três Lagoas é ignorada pela direita em evento com Lula

A cerimônia de retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), realizada em Três Lagoas na quinta-feira, 25, foi marcada pela notável ausência de parlamentares da direita de Mato Grosso do Sul. O evento, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), simboliza a volta de um projeto interrompido desde 2014. Quando concluída, a unidade tem previsão de abastecer cerca de 15% da demanda nacional de ureia anualmente.

A ausência do governador Eduardo Riedel (PP), que foi representado pelo vice-governador, José Carlos Barbosa, se deu devido a um sepultamento recente. Os deputados Camila Jara e Vander Loubet, ambos do PT, e as senadoras Soraya Thronicke e Simone Tebet, do PSB, estiveram presentes na cerimônia. O evento é visto como um marco importante para o agronegócio, embora a direita, tradicionalmente defensora do setor, não tenha comparecido.

Com investimentos que ultrapassam R$ 5 bilhões e o suporte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), as obras da UFN-III devem ser retomadas após anos de inatividade. Inicialmente iniciadas em 2011, os trabalhos pararam em 2014, mesmo com um percentual considerável de execução já alcançado. Espera-se que as atividades no local comecem a partir deste mês, criando cerca de 8 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

A previsão é que a fábrica inicie sua produção em 2029, com uma capacidade de 3.600 toneladas diárias de ureia granulada e 2.200 toneladas de amônia. Isso resultará em uma produção anual de aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de ureia, volume que pode atender uma parte significativa dos produtores rurais em Mato Grosso do Sul, além de estados como Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo.

O projeto da unidade mantém essencialmente o mesmo modelo concebido em 2011. De acordo com Dimitrios Chalela Magalhães, gerente-executivo de Projetos de Desenvolvimento da Produção e Descomissionamento da Petrobras, a tecnologia empregada continua competitiva, enfatizando que a nova unidade utilizará menos gás natural em sua produção. Para funcionar plenamente, a fábrica demandará cerca de 2,3 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

A Petrobras está desenvolvendo novos projetos para garantir o fornecimento do insumo essencial para a produção de fertilizantes nitrogenados, além de aproveitar parte da infraestrutura existente, como a malha de gasodutos na região, com possibilidades de adaptações necessárias para viabilizar esse fornecimento.

Compartilhe :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest