As casas de apostas que operam legalmente no Brasil solicitaram ao governo federal um combate mais intenso às empresas que oferecem jogos de cassino online, como o Fortune Tiger, popularmente conhecido como "jogo do tigrinho". A expectativa é que o Ministério da Fazenda publique uma regulamentação específica ainda este ano, respondendo a essa pressão. Essa mobilização ocorre na mesma semana em que artistas e organizações da sociedade civil lançaram a campanha "Block no Tigrinho", que visa alertar sobre os riscos de dependência, sofrimento e endividamento relacionados a esse tipo de aposta. A campanha, iniciada na terça-feira (2), conta com a participação de nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil e Anitta.
A exploração de cassinos digitais foi autorizada no Brasil no final de 2023, mas apenas para empresas que obtiveram licenciamento federal. Para operar de forma legal, as casas de apostas devem atender a várias exigências, incluindo a verificação de seus controladores e o pagamento de uma outorga de R$ 30 milhões. As apostas que não estão dentro desse sistema são consideradas ilegais e, conforme as autoridades, frequentemente relacionadas a crimes financeiros, como a lavagem de dinheiro. O setor regulamentado defende que a fiscalização deve se estender não apenas às operadoras, mas também aos fornecedores de tecnologia. A lógica é clara: sem os softwares, sistemas de pagamento e jogos, as plataformas ilegais perdem a estrutura que viabiliza suas operações.
Atualmente, a SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), vinculada ao Ministério da Fazenda, concentra sua fiscalização principalmente nas operadoras. Em outra iniciativa, o BC (Banco Central) começou a mapear instituições de pagamento que atuam no mercado irregular. Dados da consultoria H2 Gambling Capital indicam que os cassinos online representam 60% do faturamento das casas de apostas legais no Brasil, enquanto nas plataformas ilegais essa porcentagem salta para 72%, em um mercado que movimentou R$ 14 bilhões em 2025. Jogos como "tigrinho", "velho do raio" e Aviator estão entre os favoritos dos apostadores.
Um exemplo recente das ações contra o jogo ilegal foi a operação Falsa Las Vegas. Além das licenças federais, estados como Rio de Janeiro, Paraná e Paraíba implementaram suas próprias regras para o setor de apostas. Algumas cidades, no âmbito municipal, chegaram a vender autorizações por valores muito abaixo da outorga federal. Em dezembro de 2025, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu proibir licenças municipais, o que tornou clandestinas as empresas que operavam apenas com esse tipo de autorização.
O Ministério da Fazenda informou que está atuando em diversas frentes para combater o mercado ilegal de apostas. Em colaboração com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), foram bloqueados mais de 45 mil sites irregulares. Na esfera financeira, a SPA identificou 2.007 contas bancárias suspeitas de conexão com jogos ilegais, das quais 873 foram encerradas pelo BC. O governo também relatou que concluiu 712 processos de fiscalização contra influenciadores digitais por publicidade irregular, resultando na remoção de 682 perfis e 290 publicações em plataformas digitais, em parceria com o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e o Conselho Digital do Brasil.






