Ed CARLOS Britto Burgatt e Gabriel Taquino de Paula estão presos desde o dia 7 de julho de 2022, acusados de participar de um esquema de corrupção que envolve cobrança de propina para a liberação de cirurgias, internações e exames médicos de alta complexidade. Em um diálogo registrado durante a investigação da Operação Guttemberg, Gabriel expressou entusiasmo ao afirmar: “É gostoso ganhar 50 assim”, ao que Ed CARLOS respondeu: “Quem falar que não gosta tem que ser crucificado”.
Este diálogo, que ocorreu em 2 de agosto de 2022, coincide com o dia em que a prefeitura de Miranda autorizou o pagamento de R$ 1,044 milhão pela compra de livros paradidáticos. Gabriel, que atua como vendedor dos livros da EDITORA Avante, e Ed CARLOS, chefe da central de regulação, eram responsáveis por facilitar a liberação de vagas hospitalares em troca da compra dos livros. A investigação aponta que 17 prefeituras assinaram contratos com a EDITORA, totalizando mais de R$ 27 milhões.
Além de Ed CARLOS e Gabriel, outras 14 pessoas foram detidas por envolvimento no mesmo esquema de corrupção. As investigações ainda estão em andamento, com indícios de que prefeitos que adquiriram os livros também teriam recebido propina. Suspeitas adicionais envolvem a participação de sete deputados ou ex-deputados na prática criminosa.
De acordo com a apuração, Gabriel e Ed CARLOS recebiam 5% do valor dos contratos, o que resultou em um ganho de cerca de R$ 50 mil para cada um deles apenas nesse dia, proveniente das vendas para a prefeitura de Miranda. Os valores foram depositados na conta da filha de Ed CARLOS, Jessyca Duarte Burgatt, que também foi presa na mesma operação.
A celebração pelo recebimento do dinheiro desviado dos setores de saúde e educação levou os envolvidos a comemorarem em uma boate em Campo Grande. Ed CARLOS enviou uma mensagem a Gabriel, destacando: “Hoje vamos tomar uma. Merecemos”. Em conversas transcritas pela promotoria, Ed CARLOS expressou sua disposição em dificultar a liberação de serviços, afirmando “eu tranco tudo aqui” e “saúde zero”.
As investigações revelaram que essa pressão resultou na formalização de um contrato com Nova Alvorada do Sul, onde Ed CARLOS receberia R$ 80 mil. Em troca, ele se comprometeu a destinar R$ 300 mil para exames e cirurgias, condicionando o repasse de verbas à contratação da EDITORA. Esse cenário evidencia a gravidade do esquema, que coloca em risco a saúde de muitos cidadãos em busca de atendimento médico.






