O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu autorização para a Polícia Federal investigar os repasses financeiros realizados pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o filme "Dark Horse", que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação foi solicitada após a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência, trocou mensagens com Vorcaro solicitando apoio financeiro para a produção do longa-metragem.
Mensagens de áudio e texto entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro foram divulgadas pelo site Intercept Brasil. O senador justificou que a solicitação era para patrocínio e alegou não haver irregularidades em suas ações. A autorização de Mendonça para o inquérito ocorreu a pedido da Polícia Federal e com o respaldo da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral, Paulo Gonet, identificou elementos suficientes para a abertura da investigação.
Além disso, a PGR também se manifestou contra a continuidade de um pedido de investigação feito pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que foi acatado pelo ministro do STF. Em um desdobramento separado, a Polícia Federal já havia iniciado um inquérito para verificar se houve direcionamento de emendas parlamentares para entidades ligadas à produção de "Dark Horse". Este caso é relatado pelo ministro Flávio Dino no STF.
Mendonça decidiu concentrar as investigações sobre a relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro no contexto do filme, seguindo determinação do presidente do STF, Edson Fachin, que designou Mendonça como relator, em substituição a Alexandre de Moraes, que era inicialmente responsável pela ação.
No início de junho, Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, defendeu uma nova investigação sobre o envio de recursos de Vorcaro para os Estados Unidos, com a alegação de que seria para financiar "Dark Horse". Ele destacou a necessidade de investigar novos elementos que poderiam indicar a participação de indivíduos no exterior em ações contra o Brasil.
O senador Flávio Bolsonaro não esclareceu o financiamento da produção, mesmo após ter prometido divulgar uma planilha com detalhes em 30 dias, em 19 de maio. De acordo com informações do Intercept Brasil, Flávio negociou um total de US$ 24 milhões, equivalente a R$ 134 milhões, para o financiamento do filme. O valor efetivamente repassado foi de pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, até maio de 2025.




