Caminhoneiro envolvido em acidente que deixou sete mortos em MS é solto

A Polícia Civil ouviu Everton Salim Santin, caminhoneiro de 35 anos, envolvido em um acidente na MS-295 que resultou na morte de sete indígenas da etnia Guarani. O incidente ocorreu nas proximidades da ponte sobre o Rio Iguatemi, na divisa entre os municípios de Iguatemi e Japorã. Após prestar depoimento, o caminhoneiro foi liberado, pois não estava em situação de flagrante e não existia mandado de prisão contra ele.

As vítimas foram identificadas com o auxílio de familiares e servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) dos Estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo. Entre os mortos estão Laudiceia Benites, 30 anos; Tiago Honorio dos Santos, 34 anos; Cleonice Honorio dos Santos, 42 anos; Ileo Benites, 30 anos; Genilson Euzebio Karay Mirim, 32 anos; Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, 14 anos; e Luna Benites Santos, 7 anos. Tadeu e Luna eram filhos de Laudiceia e Tiago.

O Corpo de Bombeiros Militar controlou o incêndio que se seguiu ao acidente, e as equipes de perícia realizaram os levantamentos necessários no local. Os corpos foram removidos e encaminhados ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) em Dourados. A ocorrência foi registrada inicialmente como homicídio culposo na direção de veículo automotor e omissão de socorro, qualificada se resultar em morte.

De acordo com o registro policial, o acidente ocorreu entre 20h e 20h30 da sexta-feira, 14 de outubro. O acidente envolveu um veículo Chevrolet Spin e um caminhão com semirreboque, que transportava carga de milho. A investigação preliminar aponta que o semirreboque se desprendeu do conjunto e colidiu violentamente com a Spin. Após o impacto, o motorista abandonou o local em direção a Japorã, sem prestar socorro às vítimas.

Informações dos bombeiros indicam que o carro de passeio havia acabado de deixar a aldeia indígena Porto Lindo e estava a caminho de Iguatemi. A tragédia ocorreu a cerca de dois quilômetros da aldeia, durante a noite e o início da madrugada.

O Ministério Público Federal (MPF) lamentou as mortes, destacando que Tiago Honorio dos Santos, conhecido como Tiago Karai, era uma importante liderança indígena em São Paulo, pertencente à aldeia Kalipety, na Terra Indígena Tenondé Porã, em Parelheiros (SP). O MPF ressaltou o papel de Tiago na defesa dos direitos Guarani e sua participação na criação do Comitê Interaldeias. A família de Tiago, que estava no veículo, incluía sua esposa Laudiceia, também uma liderança relevante, seus filhos Luna e Tadeu, além da irmã Cleonice Honorio dos Santos. Todos eram moradores da aldeia Kalipety.

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