Mato Grosso do Sul pode receber oito presídios sob gestão federal

A gestão do sistema prisional Em Mato Grosso do Sul tem se tornado uma preocupação crescente para as administrações federal e estadual, especialmente em decorrência do fortalecimento de organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. A região, que faz fronteira com o Paraguai e a Bolívia, é reconhecida como um corredor estratégico para o tráfico de drogas e armas, apresentando uma estrutura que favorece a atuação de facções criminosas, com presídios superlotados e áreas de difícil vigilância.

Atualmente, o Estado abriga cerca de 18 mil presos, enquanto as vagas disponíveis nos presídios somam pouco mais de 9,5 mil, resultando em um cenário de superlotação crônica. O tráfico de drogas é a principal motivação para a prisão de indivíduos, representando entre 35% e 40% da população carcerária, o que equivale a aproximadamente 6,3 mil a 7,2 mil presos relacionados diretamente a crimes de tráfico. Além disso, a situação se agrava com o aumento do número de detentos estrangeiros, que já chega a aproximadamente 490, quase o dobro do registrado um ano antes.

As cidades de Corumbá, Dourados e Campo Grande são os principais centros de detenção desses presos, muitos dos quais são paraguaios e bolivianos, associados ao tráfico de cocaína e maconha que ingressam no Brasil. Este contexto coloca Mato Grosso do Sul como um ponto crucial na estratégia nacional de combate ao Crime Organizado, especialmente considerando as rotas de tráfico que atravessam a região.

Em uma tentativa de enfrentar essa situação, o governo federal anunciou que 138 unidades prisionais estaduais irão adotar protocolos inspirados nas penitenciárias federais, com o objetivo de desarticular os chamados “escritórios do crime” que operam dentro das prisões. Essa mudança busca implementar um modelo de segurança mais rigoroso e eficiente, focando em áreas críticas, como a fronteira entre Mato Grosso do Sul e os países vizinhos.

O presidente do Instituto Não Aceito Corrupção (INAC), Roberto Livianu, destacou a importância de não apenas focar na questão das armas, mas também no combate ao tráfico de drogas, que é um dos principais motores do Crime Organizado na região. Livianu enfatizou a necessidade de um enfrentamento sério à corrupção, que permeia as forças policiais, ressaltando que a falta de ação nesse sentido compromete os esforços de combate ao crime.

O plano anunciado pelo governo federal, apesar de ser visto por alguns como uma medida eleitoreira, representa uma tentativa de enfrentar um problema que se arrasta há décadas Em Mato Grosso do Sul. A eficácia das iniciativas propostas dependerá, Segundo Livianu, do comprometimento real dos governantes com a segurança pública e o interesse genuíno em combater o Crime Organizado, destacando que medidas efetivas são urgentes para reverter a situação atual.

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