A instalação de quatro torres de monitoramento de focos de incêndio no Parque Nacional da Serra da Bodoquena visa reforçar a estrutura de prevenção e resposta a incêndios na região. Este conjunto é uma parte essencial do Manejo Integrado do Fogo, sendo o primeiro sistema desse tipo implementado na área protegida e na Terra Indígena Kadiwéu. Três das torres foram posicionadas dentro do território Kadiwéu, enquanto uma está localizada em uma propriedade privada em Bonito, estrategicamente situada entre os fragmentos norte e sul do Parque Nacional.
Josiel Coelho, coordenador de tecnologia do Instituto Terra Brasilis, informou que uma das torres foi adquirida com recursos do FUNBIO, o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, enquanto as demais contam com o apoio da Petrobras. A operação dessas torres será coordenada por brigadistas indígenas, em colaboração com o ICMBio, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. "O sistema é composto por quatro torres de monitoramento de incêndios, que pretendo finalizar nas próximas semanas", afirmou Coelho.
Os novos equipamentos utilizam câmeras de alta definição e algoritmos que permitem a identificação de fumaça em tempo real. Esta tecnologia se diferencia dos sistemas baseados em satélite, que podem ter um atraso na detecção. A nova abordagem possibilita a localização quase imediata dos focos de incêndio, proporcionando maior agilidade na tomada de decisões. Com isso, as equipes de brigadistas podem agir rapidamente para evitar que pequenos focos se transformem em incêndios de grandes proporções.
"A eficiência da detecção e a visualização da imagem logo no início ajudam a iniciar o combate mais rapidamente, impedindo que o fogo tome grandes proporções", destacou Josiel Coelho. Ele mencionou que essa tecnologia já está em uso em outras áreas do Estado. Em Corumbá, por exemplo, desde 2021, ela é aplicada pelo Instituto Homem Pantaneiro; em Miranda, está em uso nas terras indígenas sob a gestão do IBAMA/PrevFogo; e, desde 2025, no Parque Estadual do Rio Negro.
As ações de monitoramento atuais estão inseridas em um programa abrangente de manejo, que é conduzido pela Fundação Neotrópica do Brasil e pelo Instituto Terra Brasilis. Com a instalação das novas torres, a cobertura de monitoramento na Serra da Bodoquena será ampliada para cerca de 90% do parque, que abrange aproximadamente 76 mil hectares, o que equivale a cerca de 106 mil campos de futebol. Além da vigilância em tempo real, o projeto inclui a formação de brigadas comunitárias, capacitação no uso dos equipamentos e ações voltadas para a educação ambiental.






