A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) de Campo Grande está sem um secretário oficialmente designado há 42 dias, desde a exoneração de Marcelo Miglioli, que foi publicada no Diário Oficial do Município em 1º de abril. A pasta, responsável por serviços essenciais como tapa-buracos e manutenção viária, ficou sob a supervisão interina de Paulo Eduardo Cançado Soares, que foi elogiado pela prefeita Adriane Lopes no final de abril. Na ocasião, a prefeita expressou satisfação com o desempenho de Cançado e indicou que a nomeação formal ocorreria em breve. Contudo, até a data atual, a nomeação não foi efetivada e publicada oficialmente.
A exoneração de Miglioli se deu na mesma época em que ele anunciou sua disposição em colaborar com o Partido Progressistas (PP) nas eleições gerais deste ano. A ausência de um comando oficial na Sisep é um fator que complica ainda mais a situação da secretaria, que se tornou alvo da operação "Buraco Sem Fim". Esta operação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), e envolve a Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público da Capital.
Na operação, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga uma suposta organização criminosa que teria fraudado contratos relacionados à manutenção de vias públicas. Informações indicam que os criminosos manipulavam medições e realizavam pagamentos indevidos. Durante as buscas, foram apreendidos R$ 186 mil em dinheiro em um dos imóveis investigados, além de R$ 233 mil em outro local.
Entre os contratos da empresa sob investigação, que se estendem de 2018 a 2025, está um total de R$ 113,7 milhões em acordos e aditivos com a administração municipal. O ex-secretário municipal de Obras, Rudi Fiorese, que atualmente ocupa a presidência da Agesul, do Governo do Estado, é um dos alvos da operação. Agentes estiveram em seu apartamento, localizado na Rua das Garças, no centro da cidade.
Outro nome envolvido nas investigações é o engenheiro Mehdi Talayeh, superintendente da Sisep, que já havia sido mencionado na primeira fase da operação Cascalhos de Areia, realizada em 2023. Além disso, a residência do engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, responsável pelos serviços de tapa-buracos na Capital, também foi alvo de busca, resultando na apreensão de documentos, dinheiro e um veículo oficial da secretaria.






