Os efeitos da pandemia de Covid-19 continuam a impactar os registros de óbitos em Mato Grosso do Sul, mesmo após quatro anos do auge da crise sanitária. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 20, a taxa de sub-registro de mortes no Estado foi de 1,79% em 2024, o que representa o menor índice desde 2015. Contudo, o levantamento intitulado "Estimativas de sub-registro de nascimentos e óbitos 2024" revela que os anos entre 2020 e 2022 causaram alterações significativas nos padrões históricos de registros de mortes.
José Eduardo Trindade, analista da Coordenação de População e Indicadores Sociais (Copis) do IBGE, explicou que o aumento temporário no número de óbitos durante a pandemia resultou em possíveis impactos na cobertura dos sistemas de registro. Isso ocorreu devido à sobrecarga nos serviços de saúde e às mudanças nos fluxos de atendimento e registro. A diminuição nos índices de sub-notificação indica uma tendência de redução gradual, embora em um ritmo menos acelerado em comparação aos registros de nascidos vivos. A partir de 2023, nota-se uma recuperação nos índices de óbitos, evidenciando a resiliência dos sistemas de informação e o esforço contínuo para qualificar os registros vitais.
Entre 2020 e 2022, Mato Grosso do Sul contabilizou aproximadamente 10.962 mortes em decorrência da Covid-19, com 2021 se destacando como o ano mais letal, registrando 7.358 óbitos. A taxa de sub-notificação a nível nacional também foi afetada durante esse período, atingindo 4,14% em 2020, o terceiro maior índice desde 2015, quando a série histórica começou a ser registrada. No total, o Brasil reportou cerca de 716.238 mortes relacionadas à Covid-19 durante a pandemia.
A análise do IBGE aponta que a recuperação nos indicadores de 2023 em Mato Grosso do Sul reflete uma melhor integração entre cartórios, hospitais e sistemas públicos de informação. Em 2024, foram registrados 19.915 óbitos no Estado, com a taxa de sub-notificação de 1,79%, o que significa que aproximadamente 356 mortes não foram devidamente registradas. As maiores taxas de sub-notificação foram observadas entre crianças de 0 a 9 anos, com 498 óbitos de crianças menores de 1 ano, apresentando 5,26% de sub-registro, e 111 crianças de 1 a 4 anos, com 6,32% (7 óbitos não registrados).
Os dados também mostram que os idosos foram os mais afetados, com 3.469 óbitos ocorrendo entre aqueles com 85 anos ou mais, seguidos por 2.094 mortes entre idosos de 70 a 74 anos. Em âmbito nacional, a taxa de sub-registros de óbitos alcançou 3,40%, uma queda de 1,5% em comparação ao início da série em 2015, que era de 4,89%. O total de óbitos no Brasil em 2024 foi de 1.547.473, com cerca de 52,6 mil óbitos sub-notificados.






