Tecnologia Avançada Fortalece Combate a Incêndios no Cerrado

A utilização de tecnologias modernas vem revolucionando o trabalho de brigadas comunitárias que atuam no combate a incêndios nas Unidades de Conservação (UCs) do Cerrado. Equipamentos como torres de monitoramento em tempo real, algoritmos de detecção de fumaça e aplicativos operacionais em modo offline têm demonstrado eficácia na redução do tempo de resposta aos focos de incêndio, ampliando assim a proteção das áreas ambientais.

O Programa Copaíbas, que foi criado para atuar nos biomas Amazônia e Cerrado, está na vanguarda dessas inovações. O programa foca em ações que visam à diminuição do desmatamento, ao fortalecimento das Unidades de Conservação e ao apoio a comunidades indígenas e populações tradicionais. Gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e financiado pela Iniciativa Internacional da Noruega pelo Clima e Florestas, o programa também investe na aquisição de equipamentos de proteção individual e na capacitação dos brigadistas. Desde 2022, foi lançada uma chamada para projetos em Unidades de Conservação, que destinou R$5 milhões para essas iniciativas.

Um exemplo recente dessa aplicação de tecnologia é a instalação de uma torre de monitoramento no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul. A estrutura, que começou a operar em maio, é equipada com câmeras de alta resolução e algoritmos que permitem a identificação de sinais de fumaça quase em tempo real. Guilherme Dalponti, consultor ambiental da Fundação Neotrópica do Brasil, que é responsável pela instalação, destaca que essa tecnologia se diferencia de sistemas que dependem apenas de imagens de satélite, os quais podem ter um atraso na detecção. A torre, localizada em um ponto estratégico, já cobre cerca de 90% da área da unidade de conservação, que abrange aproximadamente 76 mil hectares.

Outra inovação significativa é o aplicativo Caminho do Fogo, desenvolvido pela Rede Contra Fogo. Essa ferramenta foi criada para auxiliar os brigadistas durante suas operações, reunindo informações sobre ocorrências, localização e território. Isso permite uma comunicação eficiente entre as equipes, mesmo em áreas sem acesso à internet. Ivan Anjo Diniz, coordenador e brigadista da rede, afirma que o aplicativo facilita o monitoramento, o planejamento das ações e a produção de relatórios sobre as ocorrências.

O Caminho do Fogo registra também os trajetos percorridos pelas equipes, o que é crucial para garantir a segurança ao retornar em áreas desconhecidas. O aplicativo está sendo testado em diferentes locais do Brasil, incluindo Alter do Chão, no Pará, e o Parque Nacional das Emas, em Goiás. A expectativa é que sua versão oficial seja lançada em julho de 2026, integrando informações geográficas, registros operacionais e monitoramento por satélite em uma única plataforma que possibilita o compartilhamento de dados com sistemas oficiais.

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